Exame tem precisão de mais 90% para afastar o diagnóstico em casos negativos e pode contribuir na detecção dessa doença que atinge mais de 1 milhão de brasileiros





O Instituto de Radiologia da USP (Inrad) realiza um exame inédito no Brasil para diagnóstico precoce do Alzheimer. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 1,2 milhão de brasileiros, cerca de 30% da população acima dos 85 anos, sofre ou poderá sofrer de Alzheimer. A Associação Americana da doença e a Associação de Medicina Nuclear recomendam esse exame a pessoas com perdas cognitivas antes dos 60 anos, para confirmar se existe ou não a patologia.

Um dos desafios é determinar quando um caso de perda cognitiva é ou não mal de Alzheimer, principalmente nos estágios iniciais dessa doença. Nessas situações, alguns métodos e novas tecnologias podem auxiliar a confirmar ou afastar, principalmente, o diagnóstico da demência de Alzheimer, como explica o professor Carlos Alberto Buchpiguel, do Departamento de Radiologia e Oncologia e diretor da Divisão de Medicina Nuclear e Imagem Molecular do Inrad do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“O que detectamos não é a doença, e sim aquilo que é uma assinatura patológica. Ou seja: o que existe no tecido através de uma imagem molecular, mas sem ter que fazer uma biópsia”, diz o professor ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, em referência ao exame realizado no Inrad, que contribui na confirmação ou reforço do diagnóstico clínico da demência. “Se o exame for negativo, tem uma acurácia acima de 90% para afastar o diagnóstico.”

Entre outros fatores, esse quadro neurodegenerativo é caracterizado pelo depósito da proteína beta-amiloide no cérebro, identificada no exame. Mas, como destaca Buchpiguel, indivíduos sem grau de declínio cognitivo podem apresentar também, em menor proporção, o depósito dessa proteína de uma forma anômala. “É muito importante procurar um clínico para que se faça o diagnóstico. Na vigência de uma suspeita clínica, o exame ajuda a confirmar isoladamente, e tem que ser olhado com muita cautela”, alerta.

A expectativa, segundo o professor, é que esse trabalho desenvolvido no Hospital das Clínicas, pioneiro no sentido de mostrar as exigências científicas, possa atrair incentivos da iniciativa privada para trazer produtos que poderiam possibilitar uma abrangência maior desse tipo de exame.


FONTE: JORNAL DA USP

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Em recente estudo conduzido pela professora Tânia Viel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Neurofarmacologia do Envelhecimento (GPNFE) da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, foi constatado que o enriquecimento do ambiente pode proteger nosso cérebro do Alzheimer e melhorar a memória. A variação das atividades e estímulos inibe a formação de estruturas em nossos neurônios que prejudicam a comunicação entre essas células.

Por meio de testes em laboratório com camundongos, os pesquisadores observaram uma menor quantidade das chamadas “placas senis” em animais que conviviam em ambiente enriquecido, comparados aos que viviam em ambiente normal. Essas placas são aglomerados de peptídeos (conjuntos de aminoácidos) que agem de maneira danosa no cérebro, por meio da inflamação dos neurônios e, consequentemente, levam a sua destruição.

“Os benefícios foram constatados, inicialmente, pela melhora da memória espacial”, diz a professora Tânia. “Mas os melhores efeitos não foram evidenciados pelo comportamento, mas sim pela proteção do cérebro contra a agressão das placas senis.”

Foram usados nos testes dois conjuntos de camundongos, um controle, que habitava uma caixa apenas com comida e recebia como estímulo apenas a manipulação dos pesquisadores, e outra no chamado ambiente enriquecido. Esse segundo grupo recebia diferentes estímulos materiais e atividades, como novas decorações em seu ambiente e rodas de exercício.

A professora Tânia explica essa menor quantidade das placas senis como uma proteção do cérebro contra a doença de Alzheimer e que isso é de grande utilidade aos seres humanos. “O nosso ambiente enriquecido é justamente manter uma alternância entre trabalho e lazer.”

Segundo a pesquisadora, praticar atividade física, além de outras atividades do cotidiano como passear com o cachorro, manter uma vida cultural (teatro, cinema, shows, jogos), estudar ou sair para dançar, viajar, passear, fazem o ambiente ser mais enriquecido. “Qualquer atividade que o indivíduo mantenha e que consiga ter uma alternância produzirá o aumento de proteínas que são protetoras para o cérebro.”

Em estudo anterior, a professora já havia demonstrado que o enriquecimento ambiental traz benefícios à memória tanto no envelhecimento quanto já no estágio da velhice. A nova pesquisa comprovou que isso também procede em um modelo semelhante à doença de Alzheimer. “Qualquer pessoa, em qualquer fase da vida, pode começar a sua proteção cerebral; nunca é tarde.”

O artigo de autoria da professora Tânia foi publicado na revista Frontiers in Aging Neuroscience e pode ser lido no site da publicação.


FONTE: Jornal da USP


O Instituto de Radiologia da USP (Inrad) realiza um exame inédito no Brasil para diagnóstico precoce do Alzheimer. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 1,2 milhão de brasileiros, cerca de 30% da população acima dos 85 anos, sofre ou poderá sofrer de Alzheimer. A Associação Americana da doença e a Associação de Medicina Nuclear recomendam esse exame a pessoas com perdas cognitivas antes dos 60 anos, para confirmar se existe ou não a patologia.

Um dos desafios é determinar quando um caso de perda cognitiva é ou não mal de Alzheimer, principalmente nos estágios iniciais dessa doença. Nessas situações, alguns métodos e novas tecnologias podem auxiliar a confirmar ou afastar, principalmente, o diagnóstico da demência de Alzheimer, como explica o professor Carlos Alberto Buchpiguel, do Departamento de Radiologia e Oncologia e diretor da Divisão de Medicina Nuclear e Imagem Molecular do Inrad do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

“O que detectamos não é a doença, e sim aquilo que é uma assinatura patológica. Ou seja: o que existe no tecido através de uma imagem molecular, mas sem ter que fazer uma biópsia”, diz o professor ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, em referência ao exame realizado no Inrad, que contribui na confirmação ou reforço do diagnóstico clínico da demência. “Se o exame for negativo, tem uma acurácia acima de 90% para afastar o diagnóstico.”

Entre outros fatores, esse quadro neurodegenerativo é caracterizado pelo depósito da proteína beta-amiloide no cérebro, identificada no exame. Mas, como destaca Buchpiguel, indivíduos sem grau de declínio cognitivo podem apresentar também, em menor proporção, o depósito dessa proteína de uma forma anômala. “É muito importante procurar um clínico para que se faça o diagnóstico. Na vigência de uma suspeita clínica, o exame ajuda a confirmar isoladamente, e tem que ser olhado com muita cautela”, alerta.

A expectativa, segundo o professor, é que esse trabalho desenvolvido no Hospital das Clínicas, pioneiro no sentido de mostrar as exigências científicas, possa atrair incentivos da iniciativa privada para trazer produtos que poderiam possibilitar uma abrangência maior desse tipo de exame.

FONTE: Jornal da USP